Mais estranho que a ficção

28 de Janeiro, 2022 Delasmop

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Verdade seja dita, ainda há muito a aprender sobre o mar para além daquilo que os olhos podem ver, especialmente quando se tratam de grandes profundidades do oceano, que começam a 200 metros abaixo da superfície, mais conhecido como ‘mar profundo’. O mar profundo é o maior bioma da Terra, sendo também a zona menos explorada e mais desconhecida do nosso oceano, o mesmo pode dizer-se das criaturas estranhas que o habitam.

Iniciamos o projeto DELASMOP para tentar preencher algumas lacunas de conhecimento relacionadas a tubarões e raias de profundidade (elasmobrânquios). Mais importante, procurar compreender melhor os impactos que as atividades de pesca comercial de arrasto de fundo têm nessas espécies de profundidade para ajudar na criação de soluções de forma a reduzir a taxa de captura e mortalidade neste tipo de pesca.

No Algarve, localizado no sul de Portugal, as rejeições da pesca de arrasto de crustáceos atingem uma média de 70% (Borges et al. 2001). Isso inclui elasmobrânquios, que possuem regulamentações de pesca ou têm baixo valor comercial. De acordo com nossos dados anteriores dos anos de 2018 e 2020, a grande maioria dos elasmobrânquios estão mortos na chegada ao barco ou em más condições, com chances mínimas de sobrevivência após serem rejeitados.

Durante a primeira viagem do DELASMOP, conseguimos identificar 15 (!) espécies de elasmobrânquios de profundidade, incluindo algumas das mais raras, o tubarão-duende (Mitsukurina owstoni), o tubarão-cobra (Chlamydoselachus anguineus) e o peixe-porco-de-vela (Oxynotus paradoxus). Aqui estão algumas fotos desses incríveis animais.

Foto 1: Tubarão-duende

Figura 2: Tubarão-cobra

Figura 3: líder do projeto, Sofia Graça Aranha a libertar um tubarão-cobra vivo

Embora ainda não saibamos o que acontece com os elasmobrânquios rejeitados, conseguimos libertar com sucesso o tubarão-cobra de volta ao oceano após recolher alguns dados importantes para o nosso estudo. Isso incluiu medições morfométricas e amostras de sangue para análise de isótopos estáveis ​​da sua dieta. O tubarão-duende e o peixe-porco-de-vela não tiveram tanta sorte e  infelizmente não sobreviveram à pesca. Entretanto, conseguimos recolher mais informações desses indivíduos, incluindo amostras de músculos e informações dietéticas, o que é importante para raras espécies com ainda poucos dados disponíveis na literatura.

Apesar de o tubarão-duende e o tubarão-cobra terem o status de ‘pouco preocupante’ na Lista Vermelha da IUCN – porque raramente são capturados e podem residir fora da área de pesca – pouco se sabe sobre estes incríveis tubarões. Com a pesca a aventurar-se em águas mais profundas como resultado da escassez de frutos do mar junto a costa, isto pode representar uma ameaça iminente para esses animais, pois apresentam baixa resiliência à exploração.

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